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10 Dicas para Rentabilizar a IA da Google (Gemini + Workspace) no teu Dia a Dia de Professor

Temos as ferramentas de inteligência artificial na ponta dos dedos, mas grande parte de nós usa-as ainda à superfície. A verdade é que dentro do ecossistema Google há uma série de mecanismos que nos podem ajudar a automatizar tarefas e a ganhar tempo — sem precisarmos de conhecimentos técnicos.

Sabias, por exemplo, que podes pedir o resumo dos teus e-mails do dia, ver as tarefas da agenda num só comando, ou restaurar uma fotografia antiga sem perceber nada de edição de imagem? É sobre isto que vamos falar hoje.

O meu nome é Luís Varela, sou formador de professores na área da Informática e da Tecnologia Educativa, e a ideia destas sessões é sempre a mesma: levar a técnica das ferramentas para a utilização pedagógica, com decisão e autonomia da parte de cada professor.

O vídeo desta semana

Nesta sessão trago-te 10 dicas práticas para explorares a IA da Google, com demonstrações ao vivo. Vê o vídeo completo aqui:

Não consegues ver o vídeo? Abre-o diretamente no YouTube aqui.

Antes de começar: liga o Gemini ao teu Workspace

Para que muitas destas dicas funcionem, há um passo inicial fundamental. Vamos usar o chatbot da Google, o Gemini, e precisamos de lhe dar autorização para se interligar com o nosso ecossistema.

Nas definições do Gemini existe um botão de Apps: é aí que ativamos a ligação ao Google Workspace. A partir desse momento, o Gemini passa a poder interagir com o Gmail, o Google Agenda (Calendar), o Google Docs, a Drive, o Keep e as Tasks. É este o ponto de partida para tudo o que se segue.

As 10 dicas

1. Pedir um resumo dos e-mails do dia

Em vez de percorreres a caixa de entrada manualmente, no Gemini podes simplesmente perguntar: “Podes dizer-me quais são os e-mails de hoje?”. Ele faz a leitura da caixa de entrada e devolve um resumo organizado por notificações, newsletters e outros e-mails. Útil sobretudo quando temos muita coisa acumulada.

2. Resumo da agenda do dia

Com um único comando — “Podes dar-me uma listagem das tarefas de hoje na minha agenda?” — o Gemini liga-se ao Google Calendar e mostra-te os eventos do dia, sem teres de abrir a aplicação e navegar dia a dia.

Ativar a ligação do Gemini ao Google Workspace nas definições de Apps
O primeiro passo: ativar a ligação do Gemini ao Google Workspace nas Apps.

3. Consultar a agenda do futuro

O mesmo funciona para a frente: “Quais são os eventos na agenda para a próxima semana?”. Esta síntese rápida poupa-te o trabalho de consultar manualmente — e é especialmente prática quando o evento está mais distante no tempo.

4. Agendar eventos por comando

Podes pedir diretamente o agendamento de um evento (“agenda uma reunião de pais para o dia 6 de dezembro às 14h”) e o Gemini cria-o no teu Google Agenda. Podes detalhar título, hora e duração. Nota honesta: nem sempre funciona à primeira em tempo real, e o agendamento múltiplo é mais inconstante que o único — a afinação do prompt conta.

5. Encontrar vagas na agenda

Em vez de procurares espaços livres a olho, pergunta: “Gostaria de agendar uma reunião na próxima quinta-feira. Quais são as possibilidades?”. O Gemini analisa os teus compromissos, pergunta-te a duração pretendida e sugere os melhores blocos horários. A partir daí podes agendar logo.

6. O Modo de IA no motor de busca Google

Ao lado da pesquisa normal do Google existe o Modo de IA. Em vez de uma lista de links, devolve uma resposta organizada — por exemplo, para “Como posso utilizar a IA na disciplina de Ciências da Natureza no 5.º ano?” — com planos de aula, atividades, personalização e feedback, indicando ao lado as fontes que consultou. Muita gente ainda desconhece este modo.

7. Modo de IA com imagens

Também no motor de busca podes carregar uma imagem e fazer perguntas sobre ela. Carregas a foto de um cravo do teu quintal e perguntas “Que cuidados devo ter com esta flor para que dure mais tempo?”. Quanto mais específico fores (por exemplo, descrevendo um problema concreto), mais elaborada será a resposta.

8. Restaurar e tratar fotografias antigas

Aqui o Gemini brilha. Carregas uma fotografia antiga e danificada e pedes “Podes restaurar esta foto?”. Em segundos recuperas a imagem — algo que antes exigia Photoshop e bastantes conhecimentos técnicos. A partir daí podes ir mais longe: “elimina as manchas no rosto”, “coloriza a foto”, “dá um ar mais atual às roupas e penteados”. A qualidade do tratamento de imagem costuma ser superior à de outros chatbots. Usa sempre com ética e respeito pelo próximo.

Ativar a ligação do Gemini ao Google Workspace nas definições de Apps
Antes e depois: uma fotografia antiga restaurada e colorida pela IA da Google.

9. Criar imagens com referência histórica (fins pedagógicos)

Podes simular cenários que não existem em fotografia: “Cria uma imagem realista que ilustre o momento da chegada dos portugueses ao Brasil”. Serve para a História, mas também para colocar grandes personalidades num laboratório, numa descoberta, num cenário de época. Há sempre erros detetáveis a corrigir — e quanto mais detalhe deres, mais realista fica.

Ativar a ligação do Gemini ao Google Workspace nas definições de Apps
Cenários históricos recriados com IA dão vida aos conteúdos na sala de aula.

10. Engenharia inversa: pede à IA que crie o prompt da imagem

Nem sempre sabemos escrever o melhor prompt para uma imagem. A solução? Pedir ajuda à própria IA. Por exemplo: “Podes ajudar-me a criar um prompt que me permita gerar uma imagem sobre a chegada dos portugueses ao Brasil, com detalhes da época, destaque para o conquistador, num estilo realista e cinematográfico?”. A IA devolve-te um prompt muito mais elaborado, que depois usas (e ajustas) para gerar a imagem.

E a parte pedagógica?

Como estamos num grupo de professores e formadores, a pergunta certa é sempre: “tudo isto é giro, mas como é que trago estas ideias para a sala de aula?”. A resposta depende da nossa criatividade.

Repara nesta inversão importante: o perigo não é a perda da criatividade, mas sim a amplificação daquilo que conseguimos fazer com ela. Podemos imaginar um percurso de aprendizagem e trabalhá-lo ao nível da imagem, do vídeo ou do texto. Aqui o limite é mesmo o céu.

Nas formações é frequente vermos exemplos deliciosos criados pelos colegas: o Newton numa sala de aula digital, Gil Vicente em ambiente palaciano, os heterónimos de Fernando Pessoa numa biblioteca escolar, o Adamastor em estilo Minecraft, Van Gogh a dar formação sobre IA… A imagem passa a ser um complemento poderoso para ilustrar aquilo que muitas vezes só descrevemos oralmente.

Uma nota sobre expectativas

Estas ferramentas estão a dar os primeiros passos e nem sempre são perfeitas. Vale a pena baixar um pouco o nível de expectativa e subir o nível de curiosidade. Lembra-te da regra dos 80/20: a IA faz uma boa parte, mas os ajustes finais, a validação e a tua marca pessoal são sempre teus.

Em breve teremos com certeza mais novidades — notificações, respostas automáticas a e-mails, agentes a interagir entre ecossistemas. Mas estas 10 dicas já são um excelente ponto de partida para ganhares tempo no teu dia a dia.

Boas Aprendizagens!

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