Tecnologia, Equilíbrio e Saúde em tempos de COVID-19
Há um ano atrás, escrevi aqui no Blogue um artigo com 3 Dicas Simples para começar uma Dieta Digital. Hoje, faço-lhe uma adenda, associando esta necessidade com o período que estamos a vivenciar.
Vivemos uma época ímpar que, pelos motivos conhecidos, nos confinou em casa e nos empurrou para formas de trabalho alternativas, muito centradas na tecnologia. É essa a realidade atual da esmagadora maioria dos professores.
Por muitas resistências que existam em relação às TIC, neste momento (quase) todos têm de as utilizar diariamente. E alguns até começam a perceber muitas das potencialidades associadas às aplicações educativas.

O Trabalho dos Professores!
É de louvar o esforço de todos e a vontade enorme de aprender muito em pouco tempo, e verificar como se conseguiram definir estratégias que proporcionam algum tipo de trabalho e aprendizagens aos milhares de alunos que também estão em casa.
Tudo isto numa altura em que as relações dos professores com o Ministério da Educação não eram as melhores. Como em muitas outras situações, demos uma enorme resposta de rigor e qualidade.
No entanto, apesar de este blogue se centrar na tecnologia educativa, em alguns artigos tenho feito referência aos cuidados que devemos ter com a sua excessiva utilização. Neste momento há uma tendência normal para exceder tudo o que está mais ou menos protocolado pelas instruções da Organização Mundial de Saúde, tanto nas crianças e jovens como nos adultos.
O número de horas diárias de contacto com os ecrãs sobre rapidamente para os 2 dígitos, quando deveriam ser pouco mais de 2 horas nos mais novos, até um máximo de 6 horas (já em exagero) nos mais velhos.
Este excesso de tecnologia, e de trabalho, é muito preocupante e pode conduzir-nos a problemas de saúde graves.
Enquanto professores, por não termos recursos preparados para esta forma de trabalhar, queremos estar atentos às necessidades dos alunos e, na verdade, tentar satisfazer essas necessidades tão diversas.
Estamos constantemente a tentar estar em cima de tudo, a verificar que recursos temos de dar, e especialmente que feedback devemos dar. Para além da preocupação com os alunos que, infelizmente, não estão a conseguir acompanhar as atividades.
Contudo, é importante não esquecer que também temos famílias e outras tarefas, atividades e vida para além da escola. E alguns professores estão a passar por cima de tudo isto para conseguirem cumprir com os seus alunos.
É fundamental manter o equilíbrio para que o nosso cérebro e o nosso corpo não nos deixem ficar mal.
Como gerir os tempos de ecrã?
Não me parece que existam receitas ou sugestões universais.
As seguintes ideias podem ser adaptáveis a cada caso, e podem ser um ponto de partida para que os professores (especialmente os Diretores de Turma) possam abordar este tema junto dos Encarregados de Educação, no sentido de também em casa possam ser analisados, discutidos e, quem sabe, implementados.
É muito difícil identificar quanto tempo gastamos com os ecrãs, uma vez que eles parecem omnipresentes (Smartphone, portátil, Tablet, Televisão, Smartwatch…)
Julgo que a chave é identificar “tempos sagrados” sem ecrã. Devemos dar atenção, identificar e monitorizar este tempo que pode ser o “remédio” desejado.

Como é que podemos obter tempos sagrados?
1 – Criar um plano de trabalho rigoroso
A existência de um mapa de trabalho (que terá de ser intensivo) é fundamental desde que seja cumprido. Este mapa deverá contemplar os momentos síncronos e assíncronos com os alunos, o trabalho de preparação e deverá existir sempre espaço para o feedback.
2 – Intercalar descansos obrigatórios no mapa diário/semanal
É importante descansar. Podemos utilizar alguma técnica de organização de trabalho (Ex: Técnica Pomodoro) que permita momentos de trabalho alternados com momentos de descanso ou divertimento (de preferência sem ecrãs)
3 – Automatizar procedimentos com a tecnologia
A utilização de avaliação formativa automatizada e com feedback automático para cada resposta é uma forma de reduzir o tempo de contacto com a tecnologia. As plataformas de apoio à aprendizagem (Moodle, Classroom, Edmodo, etc…) centralizam muita desta comunicação e dispõem de ferramentas que simplificam os processo de feedback.
4 – O poder dos fóruns/Grupos de discussão
A implementação destes espaços permite a utilização de feedbacks entre pares, validados pelo professor. É muito interessante verificar esta interatividade que, se for bem trabalhada, tem grandes impactos nas aprendizagens.
5 – Trabalho e Smartphone/Iphone
Devemos/Podemos criar uma regra para não ter o nosso equipamento ao lado nos momentos do nosso mapa em que definimos como trabalho. Podemos utilizá-lo nas pausas. Notificações e Redes Sociais podem “roubar-nos” muito tempo.
6 – Praticar exercício físico
Criar no mapa semanal momentos de prática física (3 ou 4) que podem, ou não ser no exterior. Para além dos cuidados com a alimentção, naturalmente.
7 – Momentos sem tecnologia
Em casa deverão existir momentos sem tecnologia. Desde logo o momento das refeições. Tentar que as refeições em família sejam livres de qualquer ecrã. Podem existir outros momentos, substituídos por tarefas em família sem tecnologia.
8 – Continuamos a ter direito a fim de semana
Esta ideia não necessita de qualquer tipo de explicação, penso eu.

Espero então que estas ideias possam ajudar-te a ser um pouco mais produtivo(a), possam também ajudar os alunos e te proporcionem novas aprendizagens de uma forma equilibrada com a saúde.
Porque, depois do COVID-19, a vida vai continuar para a esmagadora maioria.
Créditos da imagem de destaque
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